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O ESTADO ATUAL DA IMPLEMENTAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO NA EDUCAÇÃO

    Ressalto que a presente análise parte de um trabalhador em educação (professor) inserido na realidade das salas de aula, no chão da escola como dizemos. Não é uma opinião de alguém que está de fora do trabalho concreto com a educação e especula sobre o que considera mais eficaz para melhorar a qualidade da educação, algo muito comum e corriqueiro.

    A pandemia da COVID-19 acelerou as novas medidas e em certa medida salvou a educação de um colapso total ao implementar a “educação remota” como alternativa as aulas presenciais em meio as políticas de distanciamento social. Em meio a esses eventos empresas como a Google e seu Classroom surgiram oferecendo suas soluções e tecnologias educacionais que adentraram com vigor na vida das escolas.

ATUALIZANDO DADOS DA VIOLÊNCIA ESCOLAR

    As notícias sobre casos de violência em escolas no Brasil, tem recheado o conteúdo dos órgãos de imprensa recentemente.

    Quem anda bem informado sabe do que estou falando. Não precisa nem expor aqui uma lista de links sobre o tema, porque isso se encontra facilmente numa pesquisa na internet. Aliás acho que a imprensa explora até demais o assunto, como faz com tantos outros casos bárbaros de violência.

"É preciso desmistificar a pesquisa" - (Professor Pedro Demo)

 

O livro do Professor Pedro Demo "Pesquisa princípio  científico e educativo" foi me apresentado pela professora Leonice no curso de mestrado profhistória, onde ingressei sem ter que apresentar um projeto de pesquisa prévio como acontece com a maioria dos cursos tradicionais de mestrado no nosso país. Um projeto de pesquisa prévio é uma condição interessante dos cursos de mestrado cuja ideia é formar pesquisadores. A proposta de Pedro Demo é possibilitar um acesso mais prévio aos estudantes da Educação Básica a pesquisa e a própria introdução a produção científica e acadêmica.

Na introdução desse livro Pedro Demo apresenta a pesquisa como uma prática humana que deve ultrapassar os limites convencionais do ensino superior e ser aplicado como recurso metodológico e pedagógico já no ensino básico com amplas possibilidades de formação de consciência crítica e de emancipação pessoal, que se opõe as práticas tradicionais de educação baseadas na transmissão de conhecimentos copiados e não elaborados pelos sujeitos do processo educativo. Tal pretensão se apresenta como um desafio aos educadores, em especial aos comprometidos com uma transformação social.

Contribuição para um debate democrático.


A democracia é uma atividade política que gera ações a partir de tomadas de decisões, de escolha de caminhos para o futuro. Democracia e política são atividades individuais e dialeticamente coletivas. Em grupo democracia se faz com participação, com eleição, de maneira direta, com consulta. Existe mais de um tipo de democracia, mas todas elas se fazem com debate. A eleição para diretor de escola é a hora do debate sobre a escola que queremos. Existem muitos modelos a seguir, ideias a experimentar e desafios a vencer. Nesse debate demos que refletir que tipo de administração necessitamos, que mudanças podemos fazer e o que cada um de nós pode fazer para que isso aconteça.
Debater o futuro da escola é debater os rumos da educação e discutir e por a prova o próprio projeto político pedagógico da escola e sua relação com a conjuntura nacional, regional até chegar ao local. Nossa realidade tem que ser entendida e tratada em suas semelhanças e diferenças em relação a cada escola em cada canto desse Brasil. As escolas brasileiras prestam importantes serviços públicos oferecidos pelo governo a população. São importantes referências nas comunidades que a vizinham, atendendo de várias maneiras um público a que oferece para além das atividades de ensino, programas e atividades extraclasse que marcam a vida social e política de gerações. A escola que eu quero não é diferente disso, mas tem que sempre tentar ir além disso.

Por que estudar História?

Foto retirada das redes sociais digitais.

    Os seres humanos são curiosos por natureza, desde crianças querem saber das coisas e entender o mundo. Perguntas não faltam em nossa existência e essas perguntas revelam essa curiosidade interessada em saber e entender tudo a nossa volta.

    A curiosidade das crianças em especial é tão perceptível quanto a alegria e felicidade delas em apreender o significado e o funcionamento de tudo o que puderem.

    Cada descoberta provoca uma satisfação em quem descobre.

    Na idade escolar os adolescentes tão curiosos quanto as crianças que já foram se questionam e nos questionam sobre a relevância do que lhes é ensinado e as perguntas sobre para que serve esse ou aquele conhecimento são uma constante natural. Querem saber por que lhes é cobrado saber isso ou aquilo. Sempre querem saber. E quem não quer?

"A Educação precisa de respostas"?

Monstrinhos de peça publicitária da RBS

    A campanha institucional da empresa RBS suscita uma questão que merece um pouco de atenção. As notícias misturam-se a propaganda da grande mídia colocando em evidência a questão da Educação.

    Educação é o centro estratégico, tanto dentro de um plano de desenvolvimento para o país, quanto dentro do discurso político de todos os governos que tem nos governado desde que somos brasil.

    Mas qualquer elaboração teórica deve partir da realidade e os professores estaduais que nos seu fazer pedagógico diário fazem a educação pública nesse estado, conhecem e vivenciam uma realidade diferente da mostrada na propaganda oficial.

A gênese da educação brasileira


    A chegada dos jesuítas ao Brasil para a realização da sua missão evangelizadora, remonta ao ano de 1554, ano em que esses religiosos fundam as primeiras “escolas” no Brasil, com destaque para o trabalho do padre José de Anchieta que fundou o Colégio de São Paulo de Paratininga, embrião da maior metrópole do Brasil contemporâneo: São Paulo.

    Destaco que os padres jesuítas não eram funcionários da corte portuguesa e que a educação promovida por eles não fazia parte de um plano do estado português para o Brasil, não era uma política pública de estado. Na verdade em alguns momentos essa pratica educativa, que poderíamos chamar de terceirizada, se chocava com os verdadeiros interesses da coroa portuguesa, que interessada apenas em enriquecer explorando essa terra e seus habitantes, conduziu-os, em várias oportunidades, a condição de escravos.

    A Igreja Católica inserida dentro do contexto das práticas mercantilistas do antigo sistema colonial no Brasil, implementou na prática o primeiro projeto de educação da América Latina. Sempre esteve ao lado dos povos indígenas nativos, tanto os reduzidos nas missões, quanto os apressados por conquistadores como os bandeirantes. A Igreja abençoava, levava a missa e alfabetizava colonos e escravos brasileiros. A Igreja nessa gênese esteve ao lado e nos momentos finais da vida de muitas vitimas históricas do processo que promoveu a conquista portuguesa sobre a terra que hoje chamamos Brasil.

    Em 1808 com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, inicia-se o processo de emancipação política nacional. Nesse ano de 1808, a fundação da Escola de Anatomia, Medicina e Cirurgia do Rio de janeiro que posteriormente transformou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro no campus da praia vermelha, foi o marco do surgimento de um novo tipo de educação proposto pelo poder público que atingia uma parcela diferente da sociedade atendida pela Igreja. Esse ensino de novo tipo é o Ensino Superior que surgiu para atender a uma nova classe dominante, burguesa, pequena burguesa, uma classe urbana da Lisboa lusitana, a comitiva da família real, foragidos de Napoleão Bonaparte que tomaram de assalto as praias brasileiras.

    A formação (educação) em especial para o quadro funcional da elite política e econômica que dirigia o estado brasileiro, a demanda por profissionais qualificados para servirem ao Império prestes a nascer, uma formação que atendesse aos filhos dos mais ricos, impulsionou a criação de um sistema de ensino diferenciado do da Igreja,  que ensinava muitas profissões, com destaque para o início da formação de professores. Esse Ensino Superior formou os primeiros mestres e doutores autóctones do Brasil.


Professor Fabio Freitas

A Educação durante o Império no Brasil


Oralidade antes da escrita
"A educação começa em casa"

      Nos 67 anos de História do Império brasileiro, Estado e Igreja Católica promoveram juntos um sistema educacional que abrangia várias fatias econômicas da população. Logo após a Independência o governo monárquico com o apoio da Igreja e da classe aristocrática passou a regulamentar e educação pública e privada em nosso país. Na “Primeira Constituição do Estado Brasileiro”, outorgada por Dom Pedro I em 1824, no artigo 179, ao garantir “Direitos Civis e Políticos aos Cidadãos Brazileiros”,no inciso XXXII, instituiu a “instrução primária, e gratuita a todos os cidadãos”. entre  as palavras dos últimos e derradeiros parágrafos a Constituição prometeu ainda no inciso XXXIII  "Collegios e Universidades aonde serão ensinados os elementos das Sciencias, Bellas Letras e Artes".



    O Colégio Dom Pedro I criado em 1834, na “cidade neutra” do Rio de Janeiro Capital, foi o modelo do ensino público criado, mantido e regulado pelo governo imperial brasileiro. Diferente dos colégios dos padres e de qualquer outra escola no Brasil, não requeria estudo ou título anterior para ser admitido, da mesma forma que alguns dos formados nessa instituição tinham vaga garantida em instituições de ensino superior mantidos pelo governo sem ter que participar de nenhum processo seletivo. Era um colégio para gente privilegiada.

    Sob a tutela do Estado se consagrou uma política pública elitista. Destinada a uma pequena parcela da nação denominada pela lei de “cidadãos”. Essa política de educação implantada na maior metrópole do Brasil também serviu de modelo para a criação das instituições ditas públicas das oligarquias regionais que serviam para formar bons e competentes funcionários públicos entre os filhos das classes urbanas, minoria populacional brasileira.

    A criação de colégios públicos dos governos dos estados que garantia capacitação técnico-profissional para as oligarquias regionais foi o marco do surgimento do ensino médio (ou secundário) brasileiro, colocado entre o ensino primário (ou popular) e o ensino superior. Entre as profissões ensinadas nesses colégios era normal cursos de magistério para professoras, internatos para meninas que viravam professores

     As Instituições religiosas descendentes das antigas missões jesuíticas por serem católicas com privilégios governamentais, como o monopólio da exploração da fé do povo em cultos realizados nos únicos templos permitidos em nosso território, continuaram atendendo aos pobres para quem além de oferecer orientação moral e espiritual, ensinavam o mínimo letramento e uma visão de mundo sustentada no conhecimento Bíblico. Para a maior parte do Brasil, para as classes campesinas espalhadas pelos sertões e pelo interior do grande território agricultável do país, as aulas e sermões dos padres garantiam a educação primária, que não era requisito para cursar o ensino secundário que por sua vez em alguns casos dispensava a seleção para uma vaga na educação superior.

Professor Fábio Freitas

A educação na primeira república brasileira


    Os esforços do agonizante governo monárquico em buscar apoio popular para sua continuidade encontram eco nas classes mais baixas, em especial entre os recém libertos escravos. Justamente essas classes terminariam por pagar o preço de contestarem a orientação dos poderosos cafeicultores que proclamaram a república para satisfazer seus interesses e só podiam pensar em educação para seus filhos, não em uma educação pública, voltada para a imensa maioria (pobre) do país.
    A república brasileira nasceu marcada pelo domínio político e econômico da aristocracia agroexportadora, que desgostosa com a abolição da escravidão promovida pelo governo monárquico, resolve apostar num novo sistema de governo, teoricamente mais moderno e avançado. Mas a hegemonia política aristocrática transformou a “coisa púbica” em coisa de poucos, dai a expressão “república oligárquica” utilizada para se referir aos primeiros tempos da república brasileira. A educação nesse contexto também segue o sentido de coisa de uma elite.
    O Federalismo brasileiro com raízes no Ato adicional de 1842 e instituído pela Constituição Republicana de 1891 fecundou uma educação regionalizada. No que diz respeito sem nenhum projeto de abrangência nacional. Assim cada estado da federação fazia o que achava melhor com esse assunto e na prática os esforços governamentais eram para a edificação de um “ensino superior” que atendia os filhos da elite e que concentrava suas instituições na Região sudeste brasileira, sempre perto aos portos do nosso litoral atlântico. A mesma Constituição deu poderes aos estados para fazerem suas próprias leis e deixando também para esses estados a tarefa de cuidar dos assuntos pertinentes a educação. O governo federal não se responsabilizava em nada em promover educação nas províncias agora elevadas a condição de estados autônomos, estabelecendo uma educação descentralizada que atendia as necessidades das aristocracias regionais. Essa constituição também estabelecia a proibição do direito ao voto aos analfabetos o que transformou a alfabetização em critério de cidadania. A maioria dos negros ex-escravos,  e dos trabalhadores pobres do país, assim como as  mulheres não podiam votar.
    Entre os anos de 1911 e 1932 várias leis federais regulamentando a educação foram aprovadas. Essas leis seguiam tendências intelectuais europeias e foram fortemente influenciadas pela doutrina positivista. Na prática os esforços eram para retirar da Igreja Católica o monopólio do “poder de ensinar” e para se construir uma educação seletiva que atendesse as necessidades dos filhos das elites. A criação de um “exame de admissão” para os cursos superiores é uma das principais marcas dessas reformas.
    Por outro lado, se faltava iniciativa e comprometimento do poder, dito público, com uma educação pública, os trabalhadores urbanos, novos atores surgidos no novo cenário econômico e social do Brasil, deram uma contribuição fundamental para nossa história com as ações do movimento operário surgido do processo de industrialização e urbanização brasileiro.
    O movimento operário com seus sindicatos, passeatas, comícios e na sua essência política passou a cobrar dos governos em cada esfera e principalmente do governo federal, além de melhores condições de vida e de trabalho, a construção de escolas públicas para atender a essa nova classe urbana composta de uma massa assalariada.
    O movimento operário cria escolas operárias e bibliotecas populares em quase todos os estados do país, Ao lado da Igreja o movimento operário vai fazer educação popular. Uma educação particular, desvinculado do Estado oligárquico, que de maneira informal e precária vai garantir o letramento de uma crescente parcela da população pobre e urbana em crescimento, Uma educação que inclui uma população explorada por latifundiários e empresários com a conivência do próprio Estado. Com a ação dos anarquistas e comunistas, através do movimento operário, abriram-se os debates referentes a necessidade da criação de escolas públicas e suas ações e ideias vão colaborar decisivamente para a evolução da educação no Brasil

    Nessa hora da lição, gosto de lembrar aos alunos que educação é conquista, que Escola é direito na medida que foi conquistada por gerações que tiveram esse acesso negado e nessa medida educação é ato de cidadania e tem seu aspecto de dever em razão e memóra daqueles que lutaram por oportunidades que lhes foram negadas.

    Professor Fábio Freitas