"A Hora da Estrela"

 Um clássico de Clarisse Lispector

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens."

    No primeiro trimestre desse ano letivo de 2026 trabalhei um projeto interdisciplinar com a área das linguagens sobre pessoas invisibilizadas e essa temática complexa está presente na narrativa desse livro escrito para quem gosta de escrever e que faz todo mundo refletir.

    Você já sentiu que, em algum momento da vida, tudo o que você precisa é ser visto? É exatamente disso que trata "A Hora da Estrela", o último romance de Clarice Lispector, publicado em 1977, pouco antes de sua morte. Mais do que um livro, é um testamento literário.

    O livro tem um narrador protagonista que parece ser o alterego da escritora. Ele nos apresenta Macabéa, uma jovem nordestina de 19 anos, órfã, feia, tímida e virgem. Migrante no Rio de Janeiro, ela vive uma existência quase invisível: trabalha como datilógrafa, vejam só, fez um curso como eu e muitos outros e dedicou-se a uma atividade praticamente em extinção.

A revolução constitucionalista.

 09 de Julho, 1932, São Paulo.

propaganda revolucionária paulista de 1932.

    Dois anos após Getúlio Vargas assumir a liderança do país, pondo um ponto final na Primeira República, seu governo teve que enfrentar a oposição numa guerra que tinha como bandeira o retorno à normalidade constitucional. Para vencer o confronto, estratégias militares e propaganda foram planejadas e postas em prática pelos dois lados do conflito.

    O Governo Provisório se empenhou muito nas rádios cariocas e nos panfletos lançados por aviões sobre São Paulo que internamente fez a lição de casa. Na capital paulista, foi criada a Comissão de Propaganda Cívica, que procurou arregimentar artistas dispostos a colaborar com a causa e que deixaram uma variedade de imagens, usadas inclusive em produtos comercializados associados a “revolução”: cartazes, cartões postais, panfletos ilustrados, alegorias, mapas decorados e selos de correspondência, entre tantos outros que tiveram ampla circulação no estado. De fato, a propaganda constitucionalista valeu-se de um conjunto diversificado de imagens para viabilizar e fortalecer o levante.

    O Estado de São Paulo preparou-se para a guerra com armas modernas e eficientes. Importou equipamentos europeus e ensaiou uma produção industrial própria. O levante de 1932 foi precedido por um clima de tensão crescente. O estopim foi o assassinato de quatro jovens durante um protesto em 23 de maio. As iniciais de seus nomes: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, o MMDC, tornaram-se o símbolo do movimento que exigia a convocação de uma Assembleia Constituinte. A partir dali, a conspiração se intensificou e na madrugada de 9 de julho, o movimento armado foi deflagrado com a expectativa de que outros estados se juntassem à causa.

A UBERIZAÇÃO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO:

UMA CRÍTICA NECESSÁRIA.


imagen pixabay
   Nos últimos anos, o conceito de "uberização" tornou-se amplamente utilizado para descrever a precarização e flexibilização das relações de trabalho, valendo-se das tecnologias digitais para conectar trabalhadores a consumidores de forma direta. Essa tendência, inicialmente visível em setores como o de transporte e delivery, tem se expandido para outras áreas, incluindo a educação. A "uberização" dos profissionais de educação traz à tona uma série de implicações preocupantes e que merecem uma crítica aprofundada.

    Um dos aspectos mais alarmantes da uberização na educação é a precarização das condições de trabalho dos docentes. Com a promessa de "autonomia" e "flexibilidade", muitos educadores passam a atuar como freelancers, oferecendo aulas particulares ou conteúdo educacional por meio de plataformas digitais. Apesar de, em teoria, isso permitir maior controle sobre seus horários, na prática, resulta em instabilidade financeira e falta de benefícios trabalhistas, como férias remuneradas, seguro de saúde e aposentadoria.

    Outro ponto crítico é o aumento da desigualdade no acesso à educação de qualidade. Quando a educação se transforma em um serviço "on-demand", acessível principalmente para aqueles que podem pagá-la, há um risco exacerbado de que a desigualdade social se reflita diretamente no aprendizado dos alunos. As plataformas digitais, ao priorizarem o lucro, tendem a favorecer soluções educacionais que possam ser vendidas em larga escala, muitas vezes em detrimento da qualidade e personalização do ensino.

Trilhos e trens na história do Brasil.

"baronesa" a primeira locomotiva do Brasil

    A trajetória das ferrovias no Brasil teve início em 1854, impulsionada pelo pioneirismo do Barão de Mauá e com o aval do imperador Dom Pedro II. Inspirados nos modelos europeus, as locomotivas a vapor desafiaram serras e vales para integrar o território, encurtando distâncias que antes pareciam intransponíveis. Esse modal foi fundamental para escoar a produção cafeeira rumo aos portos e transformou profundamente o cotidiano de vilarejos e capitais, que passaram a se organizar ao redor do apito das locomotivas. 

maior trem cargueiro do Brasil
   Até meados do século XX,  a malha ferroviária viveu seu apogeu. Contudo, a partir dos anos 1960, automóveis e caminhões passaram a dominar o cenário nacional. Essa transição priorizou o transporte de cargas em prejuízo do movimento de passageiros,  resultando no abandono de quase 7 mil km de trilhos, uma escolha oposta à de continentes como a Europa e a Ásia, que continuaram a ampliar e modernizar suas malhas. A China, por exemplo, tem mais de 150 mil km de ferrovias e a Alemanha, cerca de 40 mil km, em território muito menor que o brasileiro.

    O antigo símbolo de desenvolvimento e integração acabou se fragmentando. Atualmente, parte do que restou das linhas históricas funciona como atração de turismo de alto custo, a exemplo da Maria Fumaça em São Paulo e da Serra Verde Express no Paraná. Essas rotas oferecem uma imersão nostálgica e pitoresca voltada apenas a uma parcela seleta da população que pode pagar por esse privilégio.

Uma introdução a história da África


    Atualmente o ensino de História no Brasil passa por um amplo processo de reformulação, que inclui aspectos essenciais como o conteúdo, metodologias, teorias e a própria formação de professores. Com certeza do ponto de vista das ciências, a História é uma disciplina muito dinâmica que caracteriza-se por uma constante atualização com inclusão de novos saberes e conhecimentos adquiridos pelas pesquisas mais recentes ocorridas no transcorrer do tempo e não é de hoje que os professores, como eu, em sala de aula veem-se na posição de ter que ensinar aquilo que não aprenderam em sua instrução acadêmica. Mas para além dessa peculiaridade prática que afeta o exercício da profissão de professor de história, as atuais mudanças ocorrem dentro de um processo mais amplo de reformulação da educação brasileira como um todo. Iniciada com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) em 1996, essa trajetória passou pela adoção das concepções genéricas de habilidades e competências em substituição aos antigos conteúdos que compunham os tradicionais programas vestibulares e continuam figurando nos sumários dos livros didáticos. Esse mesmo processo de mudanças criou o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e o transformou em instrumento de seleção e aprovação para o ingresso na educação superior. Por fim dentro dessa nova organização da educação, chegamos a aprovação (entre outras) da lei 10.639/2003 que inclui nos currículos escolares a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira.

A História do Brasil para quem tem pressa

entrevista histórica no programa "Roda Viva"

    Darcy Ribeiro sempre me vem a cabeça quando estou planejando e preparando minhas aulas. Darcy estudou, deu aula, escreveu e dedicou a vida a uma atuação política históricamente comprometida com o progresso. Teorizou muito sobre o Brasil, seu povo e nosso futuro. Pensou e agiu em nome da educação.


    Era um Antropólogo de linguagem simples, veja esse texto que encontrei entre os livros da escola onde ele explica o conceito de:

" Além dos seres vivos e da matéria cósmica, existem também coisas culturais, muitíssimo mais complicadas. Chama-se cultura tudo o que é feito pelos homens, ou resulta do trabalho deles e de seus pensamentos. Por exemplo, uma cadeira está na cara que é cultural porque foi feita por alguém. Mesmo o banquinho mais vagabundo, que mal se põe em pé, é uma coisa cultural. É cultura, também, porque feita pelos homens, uma galinha. Sem a intervenção humana, que criou os bichos domésticos, as galinhas, as vacas, os porcos, os cabritos, as cabras, não existiriam. Só haveria animais selvagens.

A minhoca criada para produzir humo é cultural, eu compreendo. Mas a lombriga que você tem na barriga é apenas um ser biológico. Ou será ela também um ser cultural? Cultural não é, porque ninguém cria lombrigas. Elas é que se criam e se reproduzem nas suas tripas.

Uma casa qualquer, ainda que material, é claramente um produto cultural, porque é feita pelos homens. A mesma coisa pode-se dizer de um prato de sopa, de um picolé ou de um diário. Mas estas são coisas de cultura material, que se pode ver, medir, pesar.

Há, também, para complicar, as coisas da cultura imaterial, impropriamente chamadas de espiritual - muitíssimo mais complicadas. A fala, por exemplo, que se revela quando a gente conversa, e que existe independentemente de qualquer boca falante, é criação cultural. Aliás, a mais importante. Sem a fala, os homens seriam uns macacos, porque não poderiam se entender uns com os outros, para acumular conhecimentos e mudar o mundo como temos mudado.

A fala está aí, onde existe gente, para qualquer um aprender. Aprende-se, geralmente, a da mãe. Se ela é uma índia, aprende-se a falar a fala dos índios, dos xavantes, por exemplo. Se ela é uma carioca, professora, moradora da Tijuca, a gente aprende aquele português lá dos tijucanos. Mas se você trocar a filhinha da índia pela filha da professora, e criar, bem ali na praça Saens Peña, ela vai crescer como uma menina qualquer, tijucana, dali mesmo. E vice-versa, o mesmo ocorre se a filha da professora for levada para a tribo xavante: ela vai crescer lá, como uma xavantinha perfeita - falando a língua dos xavantes e xavanteando muito bem, sem nem saber que há tijucanos.

Além da fala, temos as crenças, as artes, que são criações culturais, porque inventadas pelos homens e transmitidas uns aos outros através de gerações. Elas se tornam visíveis, se manifestam, através de criações artísticas, ou de ritos e práticas - o batizado, o casamento, a missa -, em que a gente vê os conceitos e as idéias religiosas ou artísticas se realizarem. Essa separação de coisas cósmicas, coisas vivas, coisas culturais, ajuda a gente de alguma forma? Sei não. Se não ajuda, diverte. É melhor que decorar um dicionário, ou aprender datas. Você não acha?"