"CHORAM MARIAS E CLARICES NO SOLO DO BRASIL ..."


     Texto de Miriam Leitão em O Globo de hoje (30/6), que emociona ao relembrar o horror que foi a ditadura e o alto custo que pagaram os que lutaram contra o regime militar.

CLARICE HERZOG, A HEROÍNA DA MEMÓRIA

Foto: Instituto Vladimir Herzog

Sugestão de um dos meus historiadores preferidos:

RAUL CARRION

PÃO TORRADO

    Hoje fiz uma receita simples aqui em casa. Tão simples que não precisa nem de receita para recomendar. É algo que a humanidade vem desenvolvendo ao londo de toda sua trajetória nesse planeta. E nos breves momentos entre uma fornada e outra, tive tempo para tirar umas fotos e refletir em como um alimento tão cotidiano carrega consigo uma história tão monumental. Aqueles pedaços de pão, que honestamente era o que tinha sobrado, acabou transformando-se não apenas num lanche rápido mas no resultado de mudanças que moldaram a própria civilização humana.

    Enquanto preparava mais um café para acompanhar o prato principal, não parava de pensar na história que começou há cerca de 10.000 anos, no Crescente Fértil, em histórias que me delicio de contar, quando falo dos nossos ancestrais, ainda caçadores-coletores, que começaram a domesticar gramíneas selvagens, entre as quais selecionaram o trigo, para ser adaptado e usado das mais criativas maneiras.

    O trigo atual, o que consumimos hoje em pães e torradas, é praticamente uma criação humana. As variedades modernas de trigo só existem por conta da seleção artificial que fizemos ao longo de milênios. Se o homem desaparecesse amanhã, essas plantas não sobreviveriam sem nossos cuidados.

A HISTÓRIA DO CHIMARRÃO

    Um costume típico das gentes dessas regiões de inverno frio da América do sul. Um hábito pessoal e coletivo que apresento com dicas de preparo, acompanhamento e apetrechos especiais.

    O chimarrão é muito mais do que uma simples e rústica bebida quente e estimulante, é um símbolo de hospitalidade, tradição e resistência cultural que atravessa gerações. Para quem vive nas regiões de inverno rigoroso do sul do Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai, essa infusão de erva-mate é quase um ritual diário que aquece o corpo e a alma e é panacéia de longevidade.

passando de mão

    A história do chimarrão começa muito antes da chegada dos colonizadores europeus. Os povos indígenas Guarani e Kaingang foram os primeiros a descobrir as propriedades da erva-mate (Ilex paraguariensis) e a consumi-la como uma infusão quente, utilizando recipientes feitos de cabaças, que também chamamos porongos e bambu que também chamamos de taquara.