INCONFIDENTES

GRAÇAS A DEUS

 

Na história da formação do povo brasileiro, ocorreram vários movimentos de oposição ao poder monárquico português que ficaram conhecidos como “inconfidências.  Mesmo antes delas, desde meados do século XVII, houveram vários outros motins e até guerras para entrarmos no século XIX finalmente com uma “Revolução” a de Pernambuco, em 1817 e finalmente o processo de "independência” em 1822.

Mas a Inconfidência Mineira de 1788-1789, com a execução violenta de Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, o mais pobre da turma, enforcado, decapitado, seu corpo esquartejado e distribuído em partes ao longo do Caminho Novo (estrada entre Minas e Rio de Janeiro) para servir de exemplo aos que se atrevessem a desagradar a autoridade real, tornou-se a célebre inconfidência do Brasil.

Inconfidente é aquele que não é fiel, no caso não leal ao rei. O termo tem o significado de traição à Coroa, um crime dos mais graves em tempos de monarquias absolutistas. A Inconfidência Mineira não passou de um plano abortado pela delação de Joaquim Silvério dos Reis Montenegro Leiria Grutes (1756-1819). Recompensado por sua caguetagem pelo governo português, Silvério dos Reis sofreu atentados no Brasil porque sua fama de traidor correu rápida. Ele fugiu para Lisboa, retornando ao Brasil apenas em 1808, para o Maranhão onde faleceu em 1819.

"Os Sapos", de Manuel Bandeira

(versão reduzida para declamar em sala de aula)

Imagem criada pela IA nano banana2


    Enfunando os papos,

    Saem da penumbra,

    Aos pulos, os sapos.

    A luz os deslumbra.


    O sapo-tanoeiro,

    Parnasiano aguado,

    Diz: - "Meu cancioneiro

    É bem martelado.


    Vede como primo

    Em comer os hiatos!

    Que arte! E nunca rimo

    Os termos cognatos.


    O meu verso é bom

    Frumento sem joio.

    Faço rimas com

    Consoantes de apoio.

O MOVIMENTO OPERÁRIO E O PENSAMENTO SOCIALISTA

gravura do século XIX
operários quebrando uma máquina.

    O trabalho assalariado é uma das grandes características da sociedade capitalista, portanto sua proliferação a ponto de tornar-se predominante na sociedade é algo recente em termos do tempo histórico total da humanidade e está intimamente ligado às consequências advindas do processo de mecanização da produção.

    Antes da revolução industrial era predominante entre as sociedades mundo afora o artesanato e as atividades ligadas ao que chamamos hoje de setor primário, ou seja, a agricultura e a criação de animais,  como principais atividades econômicas. A maior parte da população sempre viveu no que chamamos hoje zona rural ou até mesmo em zonas selvagens como florestas. Embora grandes cidades tenham surgido na antiguidade, a maior parte da população dos grandes impérios não vivia nas cidades, vivia do fruto de seu trabalho e da sua família, principalmente próximo aos campos e plantações. As cidades sustentadas por essa produção primária, recolhida em forma de tributos ou através de trocas comerciais com esses campos e até mesmo com populações que viviam de extrativismos em regiões remotas ou inóspitas, desenvolveram-se principalmente como centros de trabalho artesanal especializado. 

    Foi na Europa a partir dos séculos XII e XIII, com o desenvolvimento do comércio e a popularização do uso do dinheiro, que grande número de artesãos tiveram a opção de abandonar a agricultura e viver nas cidades da venda de seus produtos. Tecelões, metalúrgicos, sapateiros, carpinteiros, marceneiros, oleiros entre tantos outros trabalhadores especializados no que se designava de ofícios, passaram a viver e a aumentar a população das cidades, produzindo não mais apenas para si, sua família ou sua aldeia, mas desse momento em diante para abastecer uma população que crescia e tomava a forma de pequeno mercado consumidor em expansão. A nova população urbana europeia ficou historicamente conhecida como burguesia e esses artesãos especializados que viviam da venda das mercadorias que produziam eram parte importante e significativa dessa nova classe social, era a burguesia artesanal.