História e dicas contretas para preparar uma TORRADA

forma redonda 36cm
antes
    Hoje fiz uma receita simples aqui em casa. Tão simples que não precisa nem de receita para recomendar. É algo que a humanidade vem desenvolvendo ao londo de toda sua trajetória nesse planeta. E nos breves momentos entre uma fornada e outra, tive tempo para tirar umas fotos e refletir em como um alimento tão cotidiano carrega consigo uma história tão monumental. Aqueles pedaços de pão, que honestamente era o que tinha sobrado, acabou transformando-se não apenas num lanche rápido mas no resultado de mudanças que moldaram a própria civilização humana.

    Enquanto preparava mais um café para acompanhar o prato principal, não parava de pensar na história que começou há cerca de 10.000 anos, no Crescente Fértil, em histórias que me delicio de contar, quando falo dos nossos ancestrais, ainda caçadores-coletores, que começaram a domesticar gramíneas selvagens, entre as quais selecionaram o trigo, para ser adaptado e usado das mais criativas maneiras.

    O trigo atual, o que consumimos hoje em pães e torradas, é praticamente uma criação humana. As variedades modernas de trigo só existem por conta da seleção artificial que fizemos ao longo de milênios. Se o homem desaparecesse amanhã, essas plantas não sobreviveriam sem nossos cuidados.

Machado de Assis: do morro para o mundo!

“A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, como o vento apaga as velas e atiça as fogueiras”

provável última foto de Machado de Assis
provável última foto

    Joaquim Maria Machado de Assis, nasceu na capital brasileira, o Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1839. Filho do pintor Francisco José de Assis e da açoriana Maria Leopoldina Machado de Assis. Criado no Morro do Livramento, perdeu sua mãe muito cedo.

    Machado de Assis foi um pouco de tudo: operário de gráfica, vendedor de livros, revisor em editoras, tradutor, contista, cronista, romancista, folhetista e poeta. Fez carreira como jornalista e como funcionário público, como meio de sobrevivência.

    Iniciou-se na literatura publicando seu soneto “Allma Sra D.P.J.A.” quando tinha 15 anos incompletos, num periódico intitulado “Periódico dos Pobres”, em 03 de outubro de 1854. Em 1856 trabalhou na Imprensa Nacional, onde conheceu Manuel Antônio de Almeida, o qual tornou-se seu protetor. Em 1858 trabalhou no Correio Mercantil, como revisor  e em 1860, passou a trabalhar no Diário do Rio de Janeiro. Em 1861 publicou seu primeiro livro, uma tradução de “Queda que as mulheres têm pelos homens tolos”. Em 1864 editou seu primeiro livro de poesias, intitulado “Crisálidas”. Em 1857 foi trabalhar no Diário Oficial. Em 1869, casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais, com quem conviveu por 35 anos e cujo matrimônio transcorreu sem que tivessem filhos.

"A Hora da Estrela"

 Um clássico de Clarisse Lispector

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens."

    No primeiro trimestre desse ano letivo de 2026 trabalhei um projeto interdisciplinar com a área das linguagens sobre pessoas invisibilizadas e essa temática complexa está presente na narrativa desse livro escrito para quem gosta de escrever e que faz todo mundo refletir.

    Você já sentiu que, em algum momento da vida, tudo o que você precisa é ser visto? É exatamente disso que trata "A Hora da Estrela", o último romance de Clarice Lispector, publicado em 1977, pouco antes de sua morte. Mais do que um livro, é um testamento literário.

    O livro tem um narrador protagonista que parece ser o alterego da escritora. Ele nos apresenta Macabéa, uma jovem nordestina de 19 anos, órfã, feia, tímida e virgem. Migrante no Rio de Janeiro, ela vive uma existência quase invisível: trabalha como datilógrafa, vejam só, fez um curso como eu e muitos outros e dedicou-se a uma atividade praticamente em extinção.

A revolução constitucionalista.

 09 de Julho, 1932, São Paulo.

propaganda revolucionária paulista de 1932.

    Dois anos após Getúlio Vargas assumir a liderança do país, pondo um ponto final na Primeira República, seu governo teve que enfrentar a oposição numa guerra que tinha como bandeira o retorno à normalidade constitucional. Para vencer o confronto, estratégias militares e propaganda foram planejadas e postas em prática pelos dois lados do conflito.

    O Governo Provisório se empenhou muito nas rádios cariocas e nos panfletos lançados por aviões sobre São Paulo que internamente fez a lição de casa. Na capital paulista, foi criada a Comissão de Propaganda Cívica, que procurou arregimentar artistas dispostos a colaborar com a causa e que deixaram uma variedade de imagens, usadas inclusive em produtos comercializados associados a “revolução”: cartazes, cartões postais, panfletos ilustrados, alegorias, mapas decorados e selos de correspondência, entre tantos outros que tiveram ampla circulação no estado. De fato, a propaganda constitucionalista valeu-se de um conjunto diversificado de imagens para viabilizar e fortalecer o levante.

    O Estado de São Paulo preparou-se para a guerra com armas modernas e eficientes. Importou equipamentos europeus e ensaiou uma produção industrial própria. O levante de 1932 foi precedido por um clima de tensão crescente. O estopim foi o assassinato de quatro jovens durante um protesto em 23 de maio. As iniciais de seus nomes: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, o MMDC, tornaram-se o símbolo do movimento que exigia a convocação de uma Assembleia Constituinte. A partir dali, a conspiração se intensificou e na madrugada de 9 de julho, o movimento armado foi deflagrado com a expectativa de que outros estados se juntassem à causa.

A UBERIZAÇÃO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO:

UMA CRÍTICA NECESSÁRIA.


imagen pixabay: precarização do trabalho docente
   Nos últimos anos, o conceito de "uberização" tornou-se amplamente utilizado para descrever a precarização e flexibilização das relações de trabalho, valendo-se das tecnologias digitais para conectar trabalhadores a consumidores de forma direta. Essa tendência, inicialmente visível em setores como o de transporte e delivery, tem se expandido para outras áreas, incluindo a educação. A "uberização" dos profissionais de educação traz à tona uma série de implicações preocupantes e que merecem uma crítica aprofundada.

    Um dos aspectos mais alarmantes da uberização na educação é a precarização das condições de trabalho dos docentes. Com a promessa de "autonomia" e "flexibilidade", muitos educadores passam a atuar como freelancers, oferecendo aulas particulares ou conteúdo educacional por meio de plataformas digitais. Apesar de, em teoria, isso permitir maior controle sobre seus horários, na prática, resulta em instabilidade financeira e falta de benefícios trabalhistas, como férias remuneradas, seguro de saúde e aposentadoria.

    Outro ponto crítico é o aumento da desigualdade no acesso à educação de qualidade. Quando a educação se transforma em um serviço "on-demand", acessível principalmente para aqueles que podem pagá-la, há um risco exacerbado de que a desigualdade social se reflita diretamente no aprendizado dos alunos. As plataformas digitais, ao priorizarem o lucro, tendem a favorecer soluções educacionais que possam ser vendidas em larga escala, muitas vezes em detrimento da qualidade e personalização do ensino.

Trilhos e trens na história do Brasil.

"baronesa" a primeira locomotiva do Brasil

    A trajetória das ferrovias no Brasil teve início em 1854, impulsionada pelo pioneirismo do Barão de Mauá e com o aval do imperador Dom Pedro II. Inspirados nos modelos europeus, as locomotivas a vapor desafiaram serras e vales para integrar o território, encurtando distâncias que antes pareciam intransponíveis. Esse modal foi fundamental para escoar a produção cafeeira rumo aos portos e transformou profundamente o cotidiano de vilarejos e capitais, que passaram a se organizar ao redor do apito das locomotivas. 

maior trem cargueiro do Brasil
   Até meados do século XX,  a malha ferroviária viveu seu apogeu. Contudo, a partir dos anos 1960, automóveis e caminhões passaram a dominar o cenário nacional. Essa transição priorizou o transporte de cargas em prejuízo do movimento de passageiros,  resultando no abandono de quase 7 mil km de trilhos, uma escolha oposta à de continentes como a Europa e a Ásia, que continuaram a ampliar e modernizar suas malhas. A China, por exemplo, tem mais de 150 mil km de ferrovias e a Alemanha, cerca de 40 mil km, em território muito menor que o brasileiro.

    O antigo símbolo de desenvolvimento e integração acabou se fragmentando. Atualmente, parte do que restou das linhas históricas funciona como atração de turismo de alto custo, a exemplo da Maria Fumaça em São Paulo e da Serra Verde Express no Paraná. Essas rotas oferecem uma imersão nostálgica e pitoresca voltada apenas a uma parcela seleta da população que pode pagar por esse privilégio.