A revolução constitucionalista.

 09 de Julho, 1932, São Paulo.

propaganda revolucionária paulista de 1932.

    Dois anos após Getúlio Vargas assumir a liderança do país, pondo um ponto final na Primeira República, seu governo teve que enfrentar a oposição numa guerra que tinha como bandeira o retorno à normalidade constitucional. Para vencer o confronto, estratégias militares e propaganda foram planejadas e postas em prática pelos dois lados do conflito.

    O Governo Provisório se empenhou muito nas rádios cariocas e nos panfletos lançados por aviões sobre São Paulo que internamente fez a lição de casa. Na capital paulista, foi criada a Comissão de Propaganda Cívica, que procurou arregimentar artistas dispostos a colaborar com a causa e que deixaram uma variedade de imagens, usadas inclusive em produtos comercializados associados a “revolução”: cartazes, cartões postais, panfletos ilustrados, alegorias, mapas decorados e selos de correspondência, entre tantos outros que tiveram ampla circulação no estado. De fato, a propaganda constitucionalista valeu-se de um conjunto diversificado de imagens para viabilizar e fortalecer o levante.

    O Estado de São Paulo preparou-se para a guerra com armas modernas e eficientes. Importou equipamentos europeus e ensaiou uma produção industrial própria. O levante de 1932 foi precedido por um clima de tensão crescente. O estopim foi o assassinato de quatro jovens durante um protesto em 23 de maio. As iniciais de seus nomes: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, o MMDC, tornaram-se o símbolo do movimento que exigia a convocação de uma Assembleia Constituinte. A partir dali, a conspiração se intensificou e na madrugada de 9 de julho, o movimento armado foi deflagrado com a expectativa de que outros estados se juntassem à causa.

combatentes paulistas

    As batalhas se espalharam por diversas frentes, desde o Vale do Paraíba até a divisa com o Paraná. Embora São Paulo contasse com cerca de 40 mil voluntários e uma força pública de 10 mil homens, as tropas leais ao governo federal, com aproximadamente 100 mil soldados, tinham uma vantagem numérica esmagadora. Para compensar a desvantagem, os paulistas improvisaram engenhos de guerra. O mais famoso foi o trem blindado "Fantasma da Morte", construído com a ajuda da Escola Politécnica e equipado com canhões e metralhadoras, que se tornou o terror das tropas getulistas. A aviação também entrou em ação; com apenas quatro aviões no início, a força aérea paulista realizou missões de reconhecimento e ataque.

    A luta, no entanto, foi desigual. Sem o apoio esperado de outros estados, os paulistas ficaram isolados e após três meses de combates, a derrota tornou-se inevitável. Em 2 de outubro de 1932, as forças constitucionalistas se renderam. Apesar da derrota militar, a revolução deu aos paulistas uma certa vitória moral. A pressão do movimento forçou Getúlio Vargas a convocar uma Assembleia Nacional Constituinte, que resultou na promulgação da Constituição de 1934 que, entre outros avanços, instituiu o voto secreto e o sufrágio feminino no país.

    Assim, o 9 de julho deixou de ser apenas o marco de uma guerra perdida para se tornar o símbolo da luta de São Paulo pela redemocratização do país. O feriado estadual paulista é a prova de que a memória daqueles 87 dias de combate, do sacrifício do MMDC e de mais de 600 mortos, permanece viva, lembrando que a conquista de direitos civis e da cidadania plena muitas vezes exige coragem e disposição para lutar.

Memorial aos mortos pelo bombardeio aéreo em Bragança Paulista.


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