![]() |
| estátua do brasileiro em NY |
Cientista versado em mineração e metalurgia, reconhecido internacionalmente com vários artigos publicados nos principais jornais acadêmicos da Europa, em várias línguas, José Bonifácio de Andrada e Silva nasceu em Santos em 1763, filho de um bem sucedido comerciante, era portanto oriundo das classes mais abastadas da sociedade colonial brasileira e como muitos dos filhos da elite colonial foi estudar em Portugal, na famosa Universidade de Coimbra. Em 1783, com 20 anos, começou a Faculdade de Direito. Estudou também filosofia natural, que incluía história natural, química e matemática.
Bonifácio fez parte de uma nova geração de brasileiros em Coimbra. Enquanto os mais antigos seguiam a tradição de estudar para voltar ao Brasil e administrar os negócios da família, os estudantes daquela época tinham a orientação de usar o conhecimento científico para desenvolver as capacidades e as potencialidades do império português. Havia, então, uma forte ligação entre ciência e política. O Estado arregimentava estudiosos para postos importantes na administração para garantir que políticas reformistas fossem aplicadas para a modernização do Estado Português. Assim Bonifácio tornou-se uma espécie de funcionário público ainda quando estudante, já estava a serviço do governo português.
Em 1789, já formado, Bonifácio foi convidado pelo Duque de Lafões, primo da rainha Maria I de Portugal, para fazer parte da Academia de Ciências. Seu primeiro trabalho foi Memórias Sobre a Pesca das Baleias e Extração de seu Azeite, que por meio de citações eruditas procurava melhorar os processos da indústria pesqueira. Em 1790, a queda da produção das minas de ouro no Brasil incomodava o governo português que determinou então que Bonifácio percorresse a Europa com o objetivo de adquirir conhecimentos em mineralogia e poder colaborar com o aumento da produção aurífera brasileira.
![]() |
| Mineral do grupo das granadas |
Assim que retornou da peregrinação pela Europa, Bonifácio foi convidado a criar uma cadeira de metalurgia em Coimbra. Em 1801,foi nomeado intendente das minas do reino de Portugal. Era o início da união orgânica do cientista e do homem público, mantida em perfeita sincronia até o retorno ao Brasil.
Em 1819, José Bonifácio finalmente regressou a sua terra natal, com esposa e duas filhas. Instalou-se em Santos e realizou várias excursões mineralógicas pela Província de São Paulo, onde inspecionava a casa de fundição de Sorocaba. Os relatórios dessas incursões eram seu contato oficial com o governo. Informalmente tornou-se amigo da Imperatriz dona Leopoldina, sendo uma das poucas pessoas do Brasil com quem a imperatriz conseguia conversar na sua língua materna o alemão, afinal, o estudioso Bonifácio falava e escrevia em seis idiomas e lia em 11.
Com seus contatos, Bonifácio levou a visão de cientista ilustrado para a política. Em 1822, após já ter recusado por duas vezes o convite para ser ministro do governo brasileiro, Bonifácio finalmente aceitou encabeçar o Ministério do Reino e de Estrangeiros. No dia 2 de setembro de 1822, estava integrando o Conselho de Estado, junto com Clemente Pereira e Gonçalves Ledo, entre outros que reunidos com Dona Leopoldina concluíram que era preciso proclamar a independência. José Bonifácio escreveu então a Dom Pedro, que estava em São Paulo:
“A sorte está lançada, e de Portugal não temos que esperar senão escravidão e horrores.”
A atuação política de José Bonifácio em nosso país despertou mais atenção de que seu trabalho e seus estudos científicos de relevância internacional, e por isso aqui é lembrado e celebrado como o patriarca da independência do Brasil, mas não há nada de errado em também chamá-lo de: o patriarca da ciência no Brasil. Já houve inclusive tentativa de aclama-lo como patriarca da ecologia brasileira, devido a uma visão crítica sobre a destruição irracional da natureza que ele transpassava em seus escritos. Para Bonifácio, o desenvolvimento não poderia basear seu crescimento na destruição anticientífica das florestas, pois essas ações ameaçariam o futuro. Ele setenciou em 1828:
“Nossas preciosas matas desaparecem, vítimas do fogo e do machado, da ignorância e do egoísmo. Sem vegetação, nosso belo Brasil ficará reduzido aos desertos áridos da Líbia. Virá então o dia em que a ultrajada natureza se ache vingada de tantos crimes.”


Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comente aqui: