A revolução constitucionalista.

 09 de Julho, 1932, São Paulo.

propaganda revolucionária paulista de 1932.

    Dois anos após Getúlio Vargas assumir a liderança do país, pondo um ponto final na Primeira República, seu governo teve que enfrentar a oposição numa guerra que tinha como bandeira o retorno à normalidade constitucional. Para vencer o confronto, estratégias militares e propaganda foram planejadas e postas em prática pelos dois lados do conflito.

    O Governo Provisório se empenhou muito nas rádios cariocas e nos panfletos lançados por aviões sobre São Paulo que internamente fez a lição de casa. Na capital paulista, foi criada a Comissão de Propaganda Cívica, que procurou arregimentar artistas dispostos a colaborar com a causa e que deixaram uma variedade de imagens, usadas inclusive em produtos comercializados associados a “revolução”: cartazes, cartões postais, panfletos ilustrados, alegorias, mapas decorados e selos de correspondência, entre tantos outros que tiveram ampla circulação no estado. De fato, a propaganda constitucionalista valeu-se de um conjunto diversificado de imagens para viabilizar e fortalecer o levante.

    O Estado de São Paulo preparou-se para a guerra com armas modernas e eficientes. Importou equipamentos europeus e ensaiou uma produção industrial própria. O levante de 1932 foi precedido por um clima de tensão crescente. O estopim foi o assassinato de quatro jovens durante um protesto em 23 de maio. As iniciais de seus nomes: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, o MMDC, tornaram-se o símbolo do movimento que exigia a convocação de uma Assembleia Constituinte. A partir dali, a conspiração se intensificou e na madrugada de 9 de julho, o movimento armado foi deflagrado com a expectativa de que outros estados se juntassem à causa.

A UBERIZAÇÃO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO:

UMA CRÍTICA NECESSÁRIA.


imagen pixabay: precarização do trabalho docente
   Nos últimos anos, o conceito de "uberização" tornou-se amplamente utilizado para descrever a precarização e flexibilização das relações de trabalho, valendo-se das tecnologias digitais para conectar trabalhadores a consumidores de forma direta. Essa tendência, inicialmente visível em setores como o de transporte e delivery, tem se expandido para outras áreas, incluindo a educação. A "uberização" dos profissionais de educação traz à tona uma série de implicações preocupantes e que merecem uma crítica aprofundada.

    Um dos aspectos mais alarmantes da uberização na educação é a precarização das condições de trabalho dos docentes. Com a promessa de "autonomia" e "flexibilidade", muitos educadores passam a atuar como freelancers, oferecendo aulas particulares ou conteúdo educacional por meio de plataformas digitais. Apesar de, em teoria, isso permitir maior controle sobre seus horários, na prática, resulta em instabilidade financeira e falta de benefícios trabalhistas, como férias remuneradas, seguro de saúde e aposentadoria.

    Outro ponto crítico é o aumento da desigualdade no acesso à educação de qualidade. Quando a educação se transforma em um serviço "on-demand", acessível principalmente para aqueles que podem pagá-la, há um risco exacerbado de que a desigualdade social se reflita diretamente no aprendizado dos alunos. As plataformas digitais, ao priorizarem o lucro, tendem a favorecer soluções educacionais que possam ser vendidas em larga escala, muitas vezes em detrimento da qualidade e personalização do ensino.

Trilhos e trens na história do Brasil.

"baronesa" a primeira locomotiva do Brasil

    A trajetória das ferrovias no Brasil teve início em 1854, impulsionada pelo pioneirismo do Barão de Mauá e com o aval do imperador Dom Pedro II. Inspirados nos modelos europeus, as locomotivas a vapor desafiaram serras e vales para integrar o território, encurtando distâncias que antes pareciam intransponíveis. Esse modal foi fundamental para escoar a produção cafeeira rumo aos portos e transformou profundamente o cotidiano de vilarejos e capitais, que passaram a se organizar ao redor do apito das locomotivas. 

maior trem cargueiro do Brasil
   Até meados do século XX,  a malha ferroviária viveu seu apogeu. Contudo, a partir dos anos 1960, automóveis e caminhões passaram a dominar o cenário nacional. Essa transição priorizou o transporte de cargas em prejuízo do movimento de passageiros,  resultando no abandono de quase 7 mil km de trilhos, uma escolha oposta à de continentes como a Europa e a Ásia, que continuaram a ampliar e modernizar suas malhas. A China, por exemplo, tem mais de 150 mil km de ferrovias e a Alemanha, cerca de 40 mil km, em território muito menor que o brasileiro.

    O antigo símbolo de desenvolvimento e integração acabou se fragmentando. Atualmente, parte do que restou das linhas históricas funciona como atração de turismo de alto custo, a exemplo da Maria Fumaça em São Paulo e da Serra Verde Express no Paraná. Essas rotas oferecem uma imersão nostálgica e pitoresca voltada apenas a uma parcela seleta da população que pode pagar por esse privilégio.

Uma introdução a história da África


    Atualmente o ensino de História no Brasil passa por um amplo processo de reformulação, que inclui aspectos essenciais como o conteúdo, metodologias, teorias e a própria formação de professores. Com certeza do ponto de vista das ciências, a História é uma disciplina muito dinâmica que caracteriza-se por uma constante atualização com inclusão de novos saberes e conhecimentos adquiridos pelas pesquisas mais recentes ocorridas no transcorrer do tempo e não é de hoje que os professores, como eu, em sala de aula veem-se na posição de ter que ensinar aquilo que não aprenderam em sua instrução acadêmica. Mas para além dessa peculiaridade prática que afeta o exercício da profissão de professor de história, as atuais mudanças ocorrem dentro de um processo mais amplo de reformulação da educação brasileira como um todo. Iniciada com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) em 1996, essa trajetória passou pela adoção das concepções genéricas de habilidades e competências em substituição aos antigos conteúdos que compunham os tradicionais programas vestibulares e continuam figurando nos sumários dos livros didáticos. Esse mesmo processo de mudanças criou o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e o transformou em instrumento de seleção e aprovação para o ingresso na educação superior. Por fim dentro dessa nova organização da educação, chegamos a aprovação (entre outras) da lei 10.639/2003 que inclui nos currículos escolares a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira.

Viva a República revolucionária da Améirca: o dia em que nasceu os Estados Unidos.

Mapa das colônia britânicas onde tudo começou.

    O processo de independência das 13 colônias inglesas da América do norte constituiu-se numa verdadeira revolução ao dar origem a um sistema de governo inédito na história e que influenciou a evolução política de outros países pelo mundo, pré-inaugurando, por assim dizer, os tempos contemporâneos. Alguns desses acontecimentos ligados ao início dos Estados Unidos da América Independentes, ocupam um lugar especial na História Geral da humanidade.

    Para tratar bem desse assunto devemos começar pelos antecedentes da colonização britânica na América que apresentou algumas características destacadamente diferentes dos demais processos coloniais implantados nesse novo mundo pelos europeus. A colonização britânica se destacou pela ação decisiva de uma migração de refugiados religiosos que negavam-se a seguir; ou a Igreja Anglicana ou o parlamento inglês ou ambos e por esse motivo eram desfavorecidos, senão discriminados pelo estado. Dessa maneira grande parte dessa população não alinhada com a Igreja estatal inglesa acabou vindo para a América para construir uma nova vida. Eram regugiados ingleses, escoceses, irlandeses, desdendentes de holandeses e até dinamarqueses, que já traziam em seu íntimo muito sentimento de rompimento com os poderes europeus.

    A atitude contra o domínio da coroa britânica levou os colonos a uma desobediência sistemática ao fundamento do antigo sistema colonial, o monopólio comercial, aplicado com rigor no restante da América pelas outras monarquias colonizadoras. O monopólio comercial determinava que somente navios de bandeira da metrópole colonizadora poderiam atracar nos portos do “novo mundo” para realizar o comércio externo. Os colonos norte-americanos contrariando os atos de navegação (leis inglesas que regulamentavam o monopólio comercial inglês) dedicaram-se, desde o início de sua colonização, ao contrabando com outras colônias da América, fazendo também comércio na África e na Europa, da mesma maneira que recebiam sem pudor em seus portos navios e navegadores de outras partes do mundo (especialmente da Holanda), chegando a abrigar em seus territórios, piratas que pilhavam os navios espanhóis no Caribe.

Graciliano Ramos e a arides no nordeste brasileiro

 

   Graciliano Ramos de Oliveira nasceu em 1892, em Quebrangulo, Alagoas, e foi um dos maiores escritores da literatura brasileira, marcando a segunda fase do modernismo com sua prosa seca, direta e profundamente crítica . Diferente de outros autores que buscavam inovações formais, Graciliano focou sua narrativa, na precisão psicológica e na denúncia social, retratando a realidade do sertão nordestino a partir de sua própria vivência no interior alagoano e suas passagens como prefeito, jornalista e preso político durante o Estado Novo.

    Sua obra, que inclui clássicos como "São Bernardo", "Angústia" e as memórias do cárcere, revela uma inquietação constante com as estruturas opressivas da sociedade e a condição humana. Foi justamente essa preocupação que o levou a escrever o romance que se tornaria seu maior legado: "Vidas Secas", publicado em 1938 . A obra é um marco do regionalismo, pois vai além da paisagem árida para expor a miséria e a luta desesperada de uma família de retirantes contra a seca e a injustiça social.

    "Vidas Secas" não é apenas um livro sobre o Nordeste, é um retrato emocionante e cruelmente verdadeiro sobre o Brasil e suas desigualdades. O romance, estruturado em treze capítulos que podem ser lidos como contos independentes, acompanha Fabiano, Sinhá Vitória, os dois filhos sem nome e a cadela Baleia em sua peregrinação silenciosa. A falta de comunicação, a animalização das personagens e o ciclo vicioso de fuga e espera pela chuva são narrados com uma economia de palavras que ecoa a própria aridez do sertão. É um livro de uma atualidade perturbadora, que nos convida a refletir sobre a condição humana e a persistência da pobreza.