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| Mais uma história dessa brava gente brasileira que nasceu lutando por liberdade e justiça. |
No ano de 1817, nove anos após a chegada da Corte portuguesa ao Brasil, ocorreu a mais radical e ousada inconfidência brasileira, a ponto de receber o nome de Revolução. Foram episódios que exprimiram o descontentamento das capitanias do norte com o governo absolutista sediado agora no Rio de Janeiro.
O movimento expandiu-se por Alagoas (então comarca de Pernambuco), Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Ele anunciava o antagonismo entre brasileiros e portugueses. O correio Braziliense, jornal publicado em Londres, afirmou que o movimento teria sido causado por:
“um rumor que se levantou, sem o menor fundamento, de que havia entre os habitantes daquela cidade certa rivalidade e ódio dos Portugueses Europeus com os Portugueses Brasilianos”.
A Revolução se iniciou no dia 6 de março entre os militares que conquistaram a população civil e conseguiram expulsar o governador da capitania, Caetano Pinto de Miranda Montenegro. A República foi apoiada por pessoas de diferentes níveis sociais: aristocratas, senhores de terras, grandes comerciantes “brasileiros”, padres, magistrados, oficiais militares, pequenos proprietários e escravos.
O novo governo convocou uma Assembleia Constituinte, criou uma bandeira própria e adotou o termo “patriota” para designar os seus, aumentou o soldo dos oficiais e soldados, aboliu vários impostos e seguiu como princípios a liberdade de consciência, de imprensa e a tolerância religiosa (embora a católica fosse a oficial), além de conceder facilidades aos portugueses para se naturalizarem.
A República durou 64 dias, caindo em 21 de maio tropas enviadas por Dom João VI sufocaram o movimento. As forças monarquistas avançaram por terra e mar, com cerca de oito mil homens sitiando Recife por terra enquanto a esquadra portuguesa bloqueava o porto, impedindo a chegada de alimentos e isolando os revolucionários. Sem conseguir expandir a revolução para outras capitanias (a Bahia, por exemplo, fuzilou o emissário enviado), os revoltosos foram derrotados. O governo provisório se rendeu em 20 de maio de 1817, quando as tropas portuguesas entraram no Recife.
A repressão foi violentíssima: quatorze líderes foram executados por crime de lesa-majestade, a maioria enforcada e esquartejada, com suas cabeças expostas em praças públicas como forma de "exemplo". Como punição coletiva, Dom João VI ainda desmembrou a comarca de Alagoas do território pernambucano. Todos os condenados tiveram mais motivos para serem considerados culpados do que Tiradentes, da mesma maneira todos teriam mais motivos para virarem heróis nacionais. Que nossa história não os esqueça.

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