UM DIA

 Muitas mulheres

Estudar História é reconstruir a longa e complexa trajetória humana ao longo do tempo e aprender observando o caminho.

Nesse percurso as mulheres permanecem, testemunham e protagonizam os acontecimentos que fazem a História. E precisamos entender essa história, pois fazemos parte dela.

Começou no paleolítico o reconhecimento das mulheres pela capacidade de gerar a vida e garantir a perpetuação da espécie. Desde o início as mulheres estão permanentemente no centro das famílias e portando das sociedades. Friedrich Engels, escreveu em seu clássico: “A origem da família da propriedade privada e do Estado” que:

"O primeiro antagonismo de classe que apareceu na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher na monogamia, e a primeira opressão de classe coincide com a opressão do sexo feminino pelo sexo masculino"

Na mesma obra, Engels descreveu a transição do matriarcado para o patriarcado como "a grande derrota histórica do sexo feminino em todo o mundo". Com o surgimento da propriedade privada, foi preciso garantir a herança dos bens do pai para seus filhos e filhas. Para isso, instituiu-se a família monogâmica, mas uma monogamia que valia especialmente para a mulher na função de mãe e o homem na posição de dono das propriedades hereditárias. Nas palavras de Engels:

"O homem também tomou as rédeas da casa; a mulher foi degradada, transformada em serva, em escrava da luxúria do homem, em simples instrumento de reprodução" .

Com as mulheres lutadoras do século XX aprendemos que não se pode falar em "libertação das mulheres" sem considerar que a opressão atinge cada mulher de um jeito, dependendo de onde ela está na teia social. Falar de "mulheres", no plural, é não negligenciar a diversidade de experiências que existem dentro dessa palavra. Ser mulher no Brasil é uma experiência muito diferente de ser mulher no Afeganistão, na Islândia, na Nigéria ou na China. E mesmo dentro do nosso país, ser mulher negra, mulher indígena, mulher de qualquer jeito, com qualquer nome, é diferente em cada lugar do nosso território, como é diferente ao longo do tempo. Realidades profundamente distintas que precisam se encontrar.

No século XXI avançamos significativamente. No Brasil se tipificou o assassinato de mulheres por razões de gênero como crime hediondo. É um passo no reconhecimento de que a violência contra a mulher tem raízes estruturais e precisa ser tratada, pois é uma flagrante e brutal injustiça presente entre todos nós.

A luta por direitos precisa reunir homens e mulheres que lutam por várias causas como contra o racismo, pelo direito à terra, pelo respeito a sua cultura e ainda pelo direito mais básico de todos, o de simplesmente existir.

Em 2026, teremos eleições. Quantas mulheres serão eleitas? E o que elas defendem?

A realidade de muitas mulheres brasileiras hoje em dia é de dedicar em média 10 horas a mais por semana, do que os homens, com os cuidados da casa e dos filhos. O trabalho doméstico, não remunerado e invisível, ainda é visto como "obrigação feminina".

O direito ao próprio corpo pela mulher ainda é campo de batalha. Decidir se quer ou não ser mãe, ter acesso a métodos contraceptivos, a partos humanizados, a atendimento digno, tudo isso ainda é privilégio, não direito universal.

Que neste 8 de março possamos Celebrar as conquistas, pois cada direito arrancado a duras penas merece festa. Que possamos Lembrar as que vieram antes, as que lutaram, as que morreram. E que possamos agir. Porque a história não acabou. E o futuro ainda está sendo escrito.

 

 Professor Fábio Freitas

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