O MERCANTILISMO

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    Em 1453, a tomada da cidade de Constantinopla pelos turcos otomanos, marcou o início de uma nova era de guerras com canhões e armas de fogo que funcionavam com pólvora, um produto que virou mercadoria num comércio que também mudou tornando-se global. Com a derrota militar de cristãos no oriente os povos da Europa Ocidental voltaram-se para buscar novas rotas e novos conflitos pelo Oceano Atlântico. Esse é o resumo do início do período da História Moderna.

    Em 1492, a Rainha Isabel de Castela (1451-1504) unificou os reinos ibéricos e completou a Reconquista com a tomada de Granada último reduto muçulmano na Península Ibérica. Nasceu a Espanha. Mas a façanha mais ousada da primeira rainha espanhola foi financiar um projeto considerado lunático pela Igreja Católica: a expedição de Cristóvão Colombo que queria alcançar as Índias navegando para oeste, que na prática obteve um sucesso muito maior do que o esperado. Esse é o início do período do mercantilismo.

    A história moderna começa com a conjuntura do mercantilismo. Um processo de intensas transformações políticas, econômicas e culturais, causadas pela expansão marítima e comercial que além de mudar a sociedade europeia impactou a vida de povos pelo mundo inteiro. Dessa história fazem parte reis, aventureiros, conquistadores, navegadores, comerciantes, religiosos e políticos.

    O nascimento das Monarquias nacionais absolutistas que lideraram politica e militarmente a organização dos modernos Estados Nacionais, ocorreu concomitantemente aos feitos dos navegadores e comerciantes que tornaram-se personagens dessa história. Havia colaboração e soma de interesses entre os que queriam acumular riqueza: os reis e a burguesia mercantil.

    Os reis cristãos ocidentais passaram a centralizar cada vez mais poder e o usavam para organizar o comércio em larga escala, padronizando sistemas de pesos e medidas, cunhando moedas, protegendo e financiando negócios burgueses.

    Os navegadores como Vasco da Gama (1460-1524), que navegava para o governo português e contornou a África chegando a Calecute, na Índia, em 1498, estabelecendo uma rota das especiarias que enriqueceria Lisboa por década, ou o corsário Francis Drake (1540-1596), que navegava a serviço da coroa britânica e tantos outros, foram os que garantiram a acumulação de poder e riqueza pelos modernos estados europeus. Colaboraram com a acumulação primitiva de capital feita pela burguesia também.

    As novas fontes de ouro descobertas na América foram tomadas pelos reis europeus. Esse ouro tomado foi usado para financiar exércitos permanentes, uma burocracia crescente e o luxo de elites decadentes a medida que o velho mundo se “aburguesava” obcecados por luxo, riqueza e o poder e o que mais os lucros do comércio pudessem oferecer.

    A aliança mais fundamental de toda a era mercantilista foi a colaboração entre a monarquia absolutista e a burguesia. O rei concedia monopólios, proteção legal e incentivos fiscais; em troca, a burguesia financiava o Estado pagando tributos o que significava também dividir seus lucros enquanto o ajudava a superar a antiga nobreza feudal. Era uma parceria que fortalecia ambos os lados e moldava a nova ordem econômica que nascia.

Esse contexto histórico criou alguns conceitos fundamentais como:

  • Metalismo: ideia de que a riqueza é medida pela quantidade de metais preciosos (ouro e prata) acumulados. Na prática: Quanto mais ouro e prata um país acumulasse, mais poderoso e rico ele seria. Isso levava os governos a adotarem medidas para impedir a saída de metais preciosos e estimular sua entrada.
  • Balança Comercial: Ideia de que um país deve exportar (vender) mais do que importar (comprar). Como o valor de troca era calculado em gramas de ouro, e o metal era usado na cunhagem de moedas, exportação era o negócio que proporcionava acumulo de riqueza e poder.
  • Protecionismo Alfandegário: Ideia de proteger a economia nacional da concorrência estrangeira. Os governos criavam tarifas (impostos) altíssimas sobre produtos vindos de outros países. Isso fazia com que os produtos estrangeiros ficassem mais caros, desestimulando seu consumo e favorecendo os produtos nacionais. Exemplo: Se a França produzia tecidos de seda, o rei colocava taxas altas nos tecidos de seda ingleses. O francês pensava duas vezes antes de comprar o produto inglês, preferindo o nacional (mais barato).
  • Intervencionismo Estatal: Ideia de que o Estado (governo) deve intervir diretamente na economia, controlando e regulando as atividades econômicas. O governo manda na economia. Nada acontece sem sua permissão. Sem um governo forte não há estabilidade econômica.
  • Monopólio: Ideia de garantir exclusividade de comércio para determinada empresa, pessoa ou nação. Na prática os reis concediam a um comerciante ou companhia o direito exclusivo de comercializar certo produto ou de comerciar com determinada região. Em troca, recebia parte dos lucros. Exemplo: A Companhia das Índias Orientais tinha o monopólio do comércio inglês com a Ásia. Nenhum outro inglês podia comerciar por lá.
  • Pacto colonial: ideia de que colônia era um lugar que só pode comercializar com sua metrópole (país que a colonizou). O Brasil (colônia de Portugal) só podia vender seus produtos (pau-brasil, açúcar, ouro) para Portugal e só podia comprar produtos vindos de Portugal. Nenhum outro país (França, Holanda) podia comerciar diretamente com o Brasil. Assim o lucro do comércio colonial ficava com a metrópole. Era a garantia de que as riquezas da colônia enriqueciam o colonizador, não seus concorrentes.

Com essas ideias na cabeça os negócios burgueses prosperaram e criaram o mundo moderno.


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