O CORVO


de EDGAR ALLAN POE

Autor em 1849
Escritor, poeta, contista e ensaísta nascido em Boston (1809) e morto em Baltimore (1849), apontado como o criador de vários gêneros literários modernos como mistério, suspense e terror. Uma personalidade atormentada por tragédias pessoais que ajudaram a moldar uma extensa e as vezes perturbadora obra literária.

 

(Tradução para o português de Machado de Assis)

 

Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
“É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais.”


Ah! bem me lembro! bem me lembro!

Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora.
E que ninguém chamará mais.